Teresa Joaquim
Universidade Aberta
A questão da natalidade como (possibilidade de) transmissão de um mundo comum: entre Hannah Arendt e Françoise Collin
8 March 2022, 16h00 (Lisbon Time — GMT+0)
Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy) | School of Arts and Humanities – University of Lisbon
Abstract
Pretende-se com esta exposição traçar o fio de compreensão que a noção de natalidade de Hannah Arendt permitiu a Françoise Collin repensar a criação de um mundo comum marcado pela vulnerabilidade não só do ponto de vista teórico como numa praxis feminista na sua pluralidade de modo a tornar esse mundo na expressão de Virginia Woolf “um lugar que seja seu” (a room of one’s own) ou antes nosso. Talvez seja necessário ir até o Segundo Sexo de Simone de Beauvoir e o que ela diz sobre a maternidade — como repetição e sem inovação — para perceber como a leitura de Collin a partir da reelaboração do conceito de natalidade de Arendt permite questionar, reformular a noção de mundo comum, e como a natalidade introduz nele, de cada vez, initium, refundando o político. A questão da natalidade está intimamente ligada com a questão política na obra de Arendt, já que o nascimento é o surgimento do novo, no espaço comum, e é a construção desse espaço que constitui a polis; “nascer é afirmar a sua presença de ser que fala e age na comunidade, o inter-esse”.



