Seminário HPhil: 28 Janeiro 2021

January 28, 2021

O Grupo de Investigação HPhil (História da Filosofia) do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa promove, na edição 2020/21 do Seminário Permanente em História da Filosofia, a leitura e discussão de Obras Fundamentais da Filosofia.

Na 12.ª sessão deste seminário, o professor Leonel Ribeiro dos Santos (Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa) apresentará uma conferência com o título “Acerca do Ente e do Uno. A concordância de Aristóteles com Platão, segundo Giovanni Pico della Mirandola” (resumo e materiais de apoio facultados nesta página).

A sessão terá lugar exclusivamente via streaming, no dia 28 de Janeiro de 2021, às 17h, pelo que os interessados deverão aceder, no dia e na hora da mesma, a esta ligação.

Resumo

A sessão do Seminário Permanente do HPhil é dedicada à apresentação e comentário de uma pequena obra muito pouco conhecida de um jovem filósofo do Renascimento, ele sim bem conhecido, pelo menos de nome. Trata-se do opúsculo intitulado Acerca do Ente e do Uno (De ente et uno), de Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494).  A obra (escrita em 1491 e postumamente publicada em 1496) inscreve-se no âmbito daquele que foi talvez o mais  intenso e mais duradouro (se não mesmo o mais importante) debate filosófico do Renascimento, o qual mobilizou defensores e adversários dos dois principais filósofos antigos (Platão e Aristóteles), que exacerbaram as diferenças entre eles, mas teve também a virtude de incitar outros a mostrar a essencial concordância das duas filosofias, apesar das divergências que à primeira vista pudessem revelar. Nos dez capítulos do opúsculo – que constitui uma espécie de abrégé de uma outra obra do autor de maior envergadura (Platonis Aristotelisque Concordia), que não chegou até nós -,  está em causa a tese metafísica central de cada um dos referidos filósofos: saber se o primeiro princípio é o Uno (Platão) ou o Ente (Aristóteles), e se Uno e Ente dizem o mesmo e, por conseguinte, se são equivalentes e convertíveis, ou se, como defendem os ‘Platónicos’ (i.é, os Neoplatónicos), por esses termos se diz algo substantivamente diferente. No ambiente intelectual de uma Florença imbuída do espírito da Academia Platónica e do neoplatonismo de Marsilio Ficino, o qual, seguindo Plotino e Proclo, realça a primazia do Uno e a sua irredutibilidade em relação ao Ente, Giovanni Pico della Mirandola, por seu lado, fazendo uma exegese literal das obras daqueles filósofos da Antiguidade, propõe-se mostrar a equivalência e a convertibilidade dos dois princípios, e com isso a concordância dos dois filósofos, assim resgatando o  pensamento de Platão da interpretação que dele faziam os seus seguidores e reabilitando Aristóteles, cuja filosofia em geral e, em especial, a sua metafísica do Ente vinham sendo negativamente apresentadas e desqualificadas desde a obra de Jorge Gemisto Plethon, De platonicae  atque Aristotelicae philosophiae differentiis (1439).