HPhil Seminar: March 13, 2025

March 13, 2025 5:00pm

The HPhil (History of Philosophy) Research Group of the Centre of Philosophy of the University of Lisbon announces the 2024/25 edition of its permanent seminar on the history of philosophy, devoted to the presentation of conferences by renowned specialists while also creating opportunities to emerging scholars, aiming to promote advanced studies in groundbreaking debates and the permanent training of its academic community.

In this session of the seminar, Hugo Maia (CFUL) will present a paper, entitled “A invalidade da filosofia na filosofia de Ibn Khaldūn” (abstract below)

The session will take place on March 13, 2025 at 5 p.m., in the Room C201.J (Room Mattos Romão, Department of Philosophy). Admission is free.

 

Abstract

Ibn Khaldūn, no primeiro dos três livros que constituem o seu Livro das Lições da Histó-ria e Registo da Narrativa e do seu Princípio sobre as Gestas dos Árabes, dos Não-árabes e dos Berberes, e de Quem deles foi Contemporâneo e Dotado do Maior Poder, desenvolve uma teoria de filosofia de história, teoria essa que considera ser inédita e uma «ciência in-dependente por si mesma.» O objectivo desta nova ciência é estipular um critério para «distinguir o verdadeiro do falso nos relatos históricos a partir da possibilidade e da impossibilidade» de terem acon-tecido. Para isso, é necessário «examinar a sociedade humana, que é habitação organizada (ʿumrān), distinguindo os modos que afectam a sua essência conforme a sua natureza, os que a afectam por acidente e são negligenciáveis, e os que a não podem afectar.»

Neste sentido, é necessário analisar o que é a autoridade política, como se forma esta, em que diferentes modos se manifesta em diferentes tipos de organização social rurais e urbanas, como se consolida e como entra em decadência, assim como os diferentes siste-mas económicos e políticos, sem descurar as suas diversas características tais como os vá-rios ofícios e postos administrativos que existem, os vários tipos de artes e ciências que são produzidas, os vários estilos arquitectónicos e planeamentos urbanos, e em que modos so-ciais uns ocorrem e outros não, e porquê.

Para o efeito, Ibn Khaldūn irá socorrer-se de diversos instrumentos da filosofia grega, nomeadamente da lógica de Aristóteles. No entanto, a Parte Sexta do Livro Primeiro da mencionada obra contém uma secção dedicada à «invalidação da filosofia» e à «influência corruptora da sua doutrina». Irei debruçar-me sobre os argumentos com os quais refuta a validade da filosofia, monstrando que Ibn Khaldūn usa este termo, de certa maneira, como uma sinédoque para a metafísica em geral e para ideias específicas do neo-platonismo que tiveram grande repercussão na filosofia produzida em contextos árabes e islâmicos, apesar de não deixar de reter alguns dos seus elementos, como é patente na sua cosmologia, oriunda dos escritos da Irmandade da Pureza (Ikhwān aṣ-Ṣafāʾ).

Para Ibn Khaldūn, o que a metafísica pretende demonstrar não é racionalmente de-monstrável, e o crente deve só guiar-se pelo que foi revelado pelo Legislador e pelo que está estipulado na xaria, e, de forma geral, deverá abster-se de estudar filosofia. Como conclusão, irei defender que Ibn Khaldūn, ao descartar a metafísica, redirecio-na os instrumentos da filosofia do mundo invisível exclusivamente para o visível, aplicando-os na análise das condições materiais da vida e na compreensão da sociedade humana, tanto no seu presente como no passado.