Antropocénica 2022

Antropocénica
Portugal 2022
O primeiro encontro da série Antropocénica realizar-se-á em Portugal, de 6 a 9 de Outubro de 2022, em duas etapas presenciais, que inclui a mostra TransAmazónias: Zonas Imaginárias, a saber: dias 6 e 7 em Lisboa, inaugurando a série internacional na Fundação Calouste Gulbenkian, com apresentações de estudos académicos e relatos ilustrados de convidados especiais, integrantes da Comissão Científica, coordenadores, além de investigadoras e investigadores com estudos seleccionados pela comissão. As comunicações e debates serão também transmitidos online pelo Canal Antropocénica do YouTube.
Especialmente no dia 7, concluindo a etapa lisboeta, será projetada uma seleção de imagens da premiada série fotográfica Distopia Amazónica, na presença do autor, o fotojornalista Lalo de Almeida, abrindo assim a mostra no Museu de Lisboa – Teatro Romano. Na etapa seguinte, já em Évora, serão exibidos no dia 8 de Outubro, dois filmes no Cinema -fora- dos Leões / Auditório Soror Mariana, como homenagens ao cineasta Andrea Tonacci (in memoriam), autor de Serras da Desordem; ao indigenista Sydney Possuelo, um dos personagens deste filme; e ao cineasta Jorge Bodanzky, co-autor de Iracema – uma Transa Amazónica, sessão seguida por um debate com Possuelo, Bodanzky e o fotojornalista Lalo de Almeida.
No dia 9 de Outubro, a diretora regional de cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, recepcionará o público no sítio arqueológico das Ruínas da Villa Romana de São Cucufate, situadas em Vila de Frades, Vidigueira, abrindo a palestra de Adriana Veríssimo Serrão, a introduzir uma visita guiada às ruínas pela arqueóloga Maria da Conceição Lopes, seguida de uma sessão especial de encerramento com Dirk Michael Hennrich e projeção noturna, ao ar livre, do vídeo Amanã, de Silvio Cordeiro e o filme Curupira e a Máquina do Destino, da artista Janaína Wagner.
Dois dias extras complementam as actividades programadas, a saber: dia 11 de Outubro, com uma palestra ilustrada do indigenista Sydney Possuelo na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; e dia 17 de Outubro de 2022, com as comunicações de investigadoras e investigadores via Internet.
Observação: as refeições não estão incluídas.
PROGRAMA 1
Comunicações
06/10/2022* – Lisboa
Fundação Calouste Gulbenkian (Sala 1)
08:30 – 09:00 . Recepção
09:00 – 10:00 . Apresentação Fundação Calouste Gulbenkian e Coordenadores
10:00 – 11:30 . Mesa 1
Sydney Possuelo {Povos Isolados na Amazónia: Confrontos e Perdas}
Jorge Bodanzky {Amazónia: a Nova Minamata?}
Claide de Paula Moraes e Anne Rapp Py-Daniel {Quando o Presente Visita o Passado – Reflexões da Arqueologia sobre o Futuro da Amazónia}
Janaína Wagner {Curupira e a Máquina do Destino}
Mediação de Silvio Cordeiro
11:30 – 12:00 . Coffee Break
12:00 – 13:30 . Mesa 2
César Schofield Cardoso {Alga}
Odair Barros-Varela {O Extrativismo Humano em Cabo Verde}
Jairzinho Lopes Pereira e Victor Barros {Ruínas, Ruminação do Passado Imperial e Liturgias de Rememoração Histórica}
Mediação de Ana Nolasco
13:30 – 14:30 . Almoço
14:30 – 16:00 . Mesa 3
Filipa César {Agropoéticas da Libertação}
Ana Nolasco {A Imagem Cinemática e a Paisagem na Obra de Mónica de Miranda}
Tiago Carvalho {A Esperança e a Expectativa – Pensar a Impotência no Antropoceno}
Mediação de Inocência Mata
16:00 – 16:30 . Coffee Break
16:30 – 18:00 . Mesa 4
Paulo Reyes {Paisagem: um Ensaio entre Horizontes}
Luanda Francine {O Antropoceno / Capitaloceno e a Negação da Morte: Algumas Contribuições Psicanalíticas}
Dirk Michael Hennrich {Sobre a História Natural do Antropoceno}
Mediação de Claide de Paula Moraes
20:00 – Confraternização (opcional / reserva antecipada)
* Dia Internacional da Geodiversidade / UNESCO
07/10/2022 – Lisboa
Fundação Calouste Gulbenkian (Sala 1)
08:30 – 09:00 . Recepção
09:00 – 09:20 . Exibição de O Grande Canteiro
09:20 – 10:30 . Mesa 5
Sérgio Ferro {Arquitectura e Construção no Antropoceno}
Silvio Cordeiro {Brasília e o Gesto do Risco}
Mediação de Dirk Michael Hennrich
10:30 – 11:00 . Coffee Break
11:00 – 12:30 . Mesa 6
Daniel Carvalho {Por uma Arqueologia do Antropoceno – Tempo, Identidade e Novos Artefatos numa Nova Era}
Frederico Orlando da Silva Agosto e Philipp Valente Soares Teuchmann {(Re)vendo a Construção da Paisagem na Arqueologia: Antropoceno e Visualidade Maquínica}
Filipe Ferreira {A Morte do ‘Homem’ no Antropoceno}
Mediação de Maria da Conceição Lopes
12:30 – 14:00 . Almoço
14:00 – 16:00 . Mesa 7
Aílton Krenak*, Boaventura de Sousa Santos e Viriato Soromenho-Marques {Cenas do Antropoceno}
Mediação de Dirk Michael Hennrich
* Participação online por confirmar
Dia 11/10/2022 – Lisboa
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Sala A201 . Anfiteatro III)
19:00 – 21:00 . Palestra Ilustrada de Sydney Possuelo {Povos Isolados e Territórios Indígenas na Amazónia}
Mediação de Dirk Michael Hennrich e Silvio Cordeiro
Dia 17/10/2022 – Internet
14:00 – 17:30 . Mesa 8
Artur Simões Rozestraten {Imaginários Urbanos – Constelações de Imagens de São Paulo}
Rita Saramago e João Marcos de Almeida Lopes {Construção Civil e Arquitetura na era do Antropoceno: Trabalho Expropriado e Natureza Espoliada}
Cristiano Ricardo de Azevedo Pacheco {A Identidde Sónica Urbana – uma Forma de Qualificação dos Espaços das Cidades}
Isabel Rebelo Roque {Fausto Acorda no Antropoceno – Onde Estão os Novos Filemon e Baucis ?}
Queiton Carmo {Pensar Com e Fora do Antropoceno – Modos de Conhecer e Narrar a Amazónia}
Mediação de Dirk Michael Hennrich e Silvio Cordeiro
MOSTRA
TransAmazónias: Zonas Imaginárias
Durante o primeiro encontro da série internacional Antropocénica, a ser realizado em Portugal no mês de Outubro de 2022, teremos em conjunto a mostra TransAmazónias: Zonas Imaginárias, como evento artístico-cultural, iniciando-a especialmente em Lisboa.
No contexto mais amplo que motiva a própria série Antropocénica, elegemos a Amazónia como tema central da mostra deste ano: vasto território da América do Sul onde coexistem desde povos originários (alguns ainda em relativo isolamento) aos impactos de atividades económicas em diversas frentes de exploração (que avançam inclusive sobre terras indígenas), impactos de vários níveis, muitos ultrapassam fronteiras, ameaçam o equilíbrio do bioma e a sua interacção, em escala global, com a biosfera em tempos de Mudança Climática. Neste sentido, vemos a Amazónia como território-síntese das complexas questões envolvidas em dinâmicas predatórias sob o Antropoceno, a revelar o drama humano e ambiental expresso nas paisagens amazónicas contemporâneas, em mutação, sob impulso da violência nas formas exploratórias, em contraste com a vivência de culturas indígenas que habitam a floresta.
Mas seria possível compreender esse território, considerando-se apenas uma Amazónia, unívoca?
Outras mais coexistem. Desde aquelas que foram nomeadas, sem sabermos hoje como foram chamadas, por nomes assim criados pelos seus primeiros habitantes humanos — que indagavam o ambiente e deram nomes a lugares, plantas, bichos — às que foram vivenciadas pelas antigas etnias descendentes, que assim transformaram outra vez os lugares em paisagens culturais; até aquela outra Amazónia — a que mais se difundiu, entre as sociedades urbanas — imaginada e representada (textual e visualmente) pelos primeiros europeus e todos os demais que ingressavam, por terra e água, nos recessos da grande floresta, transformando novamente paisagens ancestrais em outras realidades, pelas frentes de colonização, velhas e novas, num processo que, por fim, ainda marcha pelo território, passados os séculos.
Da Amazónia, poderíamos talvez vê-la — e compreende-la — como vasto território de imaginários, que transcende qualquer visão redutora, que a defina — e a confine — a um só modo de existência.
Na mostra assim proposta, quatro filmes exemplares dialogam entre si e as imagens fotográficas projetadas nas ruínas, além de um módulo histórico virtual. Ver-se-á para além da Amazónia, nos imaginários múltiplos a desvelar, no teatro vastíssimo, o tragédia do tempo presente, que atualiza violentas formas de colonização instauradas no tempo.
No dia 8 de Outubro, abrindo a mostra no Cinema -fora- dos Leões, ligado à Universidade de Évora, teremos duas sessões especiais. A primeira é dedicada a Andrea Tonacci, cineasta italiano radicado no Brasil, falecido em 2016, assim homenageado com a exibição de Serras da Desordem, obra-prima na cinematografia contemporânea brasileira. Nesta homenagem, participam a cineasta Cristina Amaral, montadora de Serras da Desordem, e o indigenista Sydney Possuelo, personagem do filme, igualmente homenageado no evento, sobretudo em sua atuação em defesa dos territórios e culturas indígenas, sobretudo dos povos isolados na região amazónica. Na sequência, a homenagem se faz a Jorge Bodanzky, com a exibição de Iracema – Uma Transa Amazónica, obra híbrida, entre documentário e ficção, que desnuda a degradação humana e ambiental da região, filmada em plena ditadura militar no Brasil, exibição seguida de um debate com Jorge Bodanzky, Sydney Possuelo e Lalo de Almeida.
Concluindo a mostra, no dia 9 de Outubro, exibiremos um vídeo relacionado com a presença humana — pretérita e contemporânea — na Amazónia e, por fim, o filme Curupira e a Máquina do Destino, da artista Janaína Wagner, encerrando a mostra.
Dia 07/10/2022 – Lisboa
Museu de Lisboa – Teatro Romano*
18:30 – 20:00 . Abertura da Mostra TransAmazónias: Zonas Imaginárias
Intervenção cénica no Museu de Lisboa – Teatro Romano: projeção de imagens da premiada série fotográfica Distopia Amazónica na presença do autor, o fotojornalista Lalo de Almeida, nas ruínas
Mediação de Dirk Michael Hennrich, Maria da Conceição Lopes e Silvio Cordeiro
21:00 . Confraternização (opcional / reserva antecipada)
* Bilhetes gratuitos limitados. A inscrição prévia estará disponível aqui do dia 26 de Setembro ao dia 2 de Outubro via formulário específico
Dia 08/10/2022 – Évora
Auditório Soror Mariana / Cinema -fora- dos Leões da Universidade de Évora
14:00 – 14:15 . Mostra TransAmazónias: Zonas Imaginárias
Recepção com Ana Paula Amendoeira, Dirk Michael Hennrich, Luís Ferro e Silvio Cordeiro
14:15 – 16:30 . Sessão Especial 1
Exibição de Serras da Desordem (Dir. Andrea Tonacci)
16:30 . 17:30 . Homenagem a Andrea Tonacci com a presença de Sydney Possuelo e participação especial (via Internet) da cineasta Cristina Amaral, montadora de Serras da Desordem
Mediação de Alemberg Quindins
17:30 – 18:00 . Coffee Break
18:00 – 19:30 . Sessão Especial 2
Exibição de Iracema – uma Transa Amazônica (Dir. Jorge Bodanzky e Orlando Senna), homenagem a Jorge Bodanzky
19:30 – 21:00 . Debate com Jorge Bodanzky, Sydney Possuelo e Lalo de Almeida. Mediação de Luís Ferro
21:00 . Confraternização (opcional / reserva antecipada)
Dia 09/10/2022 – Vidigueira / Vila de Frades
Ruínas da Villa Romana de São Cucufate
11:00 . Transferência coletiva de Évora para Vidigueira (convidados, participantes e ouvintes)
12:00 – 12:30 . Recepção na Câmara Municipal de Vidigueira
12:30 – 15:00 . Almoço (opcional / reserva antecipada)
15:30 . Transferência coletiva para as Ruínas da Villa Romana de São Cucufate (convidados, participantes e ouvintes)
16:00 – 16:15 . Recepção com Ana Paula Amendoeira
16:15 – 16:45 . Palestra de Adriana Veríssimo Serrão {Ruína Histórica e Ruína Metafísica}
16:45 – 18:00 . Visita guiada às Ruínas da Villa Romana de São Cucufate com a arqueóloga Maria da Conceição Lopes
18:00 – 18:30 . Coffee Break
18:30 – 19:30 . Sessão Especial de Encerramento de Antropocénica 2022 com Dirk Michael Hennrich e exibição dos filmes Amanã, Amazónia (Dir. Silvio Cordeiro) e Curupira e a Máquina do Destino (Dir. Janaína Wagner)
20:00 – 22:00 . Jantar (opcional / reserva antecipada)
22:00 . Regresso para Évora (coletivo) ou para Lisboa (individual)
Mais informações aqui
* * ** ** ** ***
Antropocénica é um projecto internacional situado nos interstícios entre Filosofia, Arqueologia e Arquitectura, com o fim de visar estratégias que permitam ultrapassar as fronteiras que habitualmente as definem enquanto disciplinas autónomas, assim como de dinamizar certos eixos vectores a partir desta transgressão de limites. Explícito na grafia das palavras arqueologia e arquitectura, mas também na constituição inerente da filosofia, está o prefixo arché-, pelo qual transparecem desde as questões do princípio, das (múltiplas) origens e vestígios ao desígnio de superioridade ou primado de uma arte de construir e seu potencial na edificação de outras formas possíveis de habitar.
Antropocénica reúne uma equipa ligada às três áreas propostas para se iniciar uma reflexão ampla sobre as questões urgentes do Antropoceno e a relação com as origens e a sua imersão no sentido e sem-sentido de fundamento. Estes eixos prevêem uma série internacional de encontros que, na emergência da interacção entre Filosofia, Arqueologia e Arquitectura, motivam as diversas áreas do conhecimento para o debate crítico das cenas do drama humano no teatro do mundo em mutação. O primeiro encontro da série realizar-se-á em Portugal, no mês de Outubro de 2022, nas Ruínas da Villa Romana de São Cucufate, com apoio institucional da Câmara Municipal de Vidigueira, do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, do Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra e da Direcção Regional de Cultura do Alentejo; e apoio cultural de Nômade – Arte & Editoria.
As inscrições para propostas de comunicação estão abertas até ao dia 3 de Abril de 2022. Mais informações e o formulário de inscrição estão disponíveis em: www.antropocenica.ooo
Coordenação Geral e Curadoria
Filósofo . Centro de Filosofia . Universidade de Lisboa
Arqueóloga . Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património . Universidade de Coimbra
Arquiteto . Nômade
Coordenação Executiva e Produção
Antropocénica 1 . Portugal 2022
Historiadora . Diretora Regional de Cultura do Alentejo . DRCA
Filósofo . Centro de Filosofia . Universidade de Lisboa
Arqueóloga . Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património . Universidade de Coimbra
Arquiteto . Nômade
Comissão Científica
Filósofa . Centro de Filosofia . Universidade de Lisboa
Escritor
Artista . Fundação Casa Grande
Ensaísta . UNIDCOM / IADE
Historiadora . Diretora Regional de Cultura do Alentejo . DRCA
Arqueóloga . Programa de Antropologia e Arqueologia . Universidade Federal do Oeste do Pará
Arquiteto . Faculdade de Arquitectura e Urbanismo . Universidade de São Paulo
Sociólogo . Centro de Estudos Sociais . Universidade de Coimbra
Arqueólogo . Programa de Antropologia e Arqueologia . Universidade Federal do Oeste do Pará
Filósofa . Institute for Gender, Race, Sexuality and Social Justice . University of British Columbia
Cineasta . Mediateca Onshore . Merz Akademie
Crítica Literária . Centro de Estudos Comparatistas . Faculdade de Letras . Universidade de Lisboa
Historiador . Centre of Mission and Global Studies . VID Specialized University . Noruega
Arquiteta . Faculdade de Arquitectura e Urbanismo . Universidade de São Paulo
Arquiteto e Artista
Filósofa . NOVA School of Law . Universidade Nova de Lisboa
Historiador . Instituto de História Contemporânea da NOVA FCSH
Filósofo . Faculdade de Letras . Universidade de Lisboa
Comissão Executiva
Antropocénica 1 . Portugal 2022
Câmara Municipal de Vidigueira
Centro de Estudos de Arqueologia, Artes e Ciências do Património . Universidade de Coimbra
Centro de Filosofia . Universidade de Lisboa
Direção Regional de Cultura do Alentejo
Assistente de Produção
Inês de Sousa Marques
Investigadora em Filosofia e Literatura . Universidade de Lisboa
Divulgação Científica e Cultural
Ana Paula Amendoeira
Dirk Michael Hennrich
Maria da Conceição Lopes
Silvio Luiz Cordeiro
Tradução em Inglês
Inês de Sousa Marques



