HPhil Seminar: January 2017

January 19, 2017 6:00pm

Alfarabi e a Cidade Ideal

19 January 2017, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Sala de Investigadores do CFUL

Catarina Belo (American University, Cairo)

Introdução: Na sua obra principal, Os princípios das opiniões dos habitantes da cidade virtuosa, Alfarabi (m. 950) apresenta os temas principais da sua filosofia. É uma suma filosófica de um autor que foi considerado ‘o segundo mestre’ (sendo o primeiro mestre Aristóteles). O contexto histórico e social desta obra é apresentado, bem como a questão do movimento de tradução do grego para o árabe e a influência da Teologia de (Pseudo-)Aristóteles.

Temas principais da obra: A obra começa com a descrição do primeiro, o uno ou Deus, e explica como é único. São descritos os atributos do primeiro enquanto origem da emanação. O principal atributo é ser intelecto, mas outros atributos fundamentais são a sabedoria e a vida. A partir do primeiro intelecto geram-se outros intelectos, com as respectivas esferas e depois o mundo sublunar, que se situa abaixo da lua, a última esfera emanada. É gerado o intelecto activo, que tem um papel fundamental no conhecimento humano e na realidade do mundo sublunar.

No mundo sublunar existem a forma e a matéria, bem como os quatro elementos, e as substâncias compostas deles, minerais, vegetais, e animais. Os seres humanos possuem várias faculdades, a mais nobre das quais é o intelecto. Outra faculdade importante, a representação, está na origem da profecia. O intelecto activo, o último intelecto celeste emanado, ilumina o intelecto humano. Segue-se a descrição das associações humanas e das características do líder da cidade perfeita, que também deve ser filósofo. Alfarabi descreve a relação entre a filosofia e a religião, e as implicações políticas dessa relação.

São descritos os vários tipos de cidade, e aquelas que levam à felicidade completa. A questão da imortalidade da alma é explicada por Alfarabi em relação à filosofia e à virtude.

Recepção da obra de Alfarabi: a influência desta obra na filosofia islâmica, e sobretudo em Avicena e em al-Ghazali.