Darian Meacham

Maastricht University

Why potatoes aren’t institutions? Or why institutions might help the phenomenology of technology

31 October 2023, 16h00 (Lisbon Time — GMT+0)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

In this talk I have a fairly straightforward aim. I ask whether the phenomenological concept of “Institution” (Stiftung), which sometimes goes under the translation (into both French and English) foundation or establishment, can help to better articulate how phenomenology or phenomenological method can contribute to the philosophical examination of technology. I think that the answer is yes. Nonetheless, it is not clear from the outset that the concept of institution as developed in the phenomenological tradition and then further in certain branches of political theory can be rendered easily as a method or tool in the philosopher of technology’s quiver. The application of phenomenological method in the philosophy of technology under the umbrella of post-phenomenology has also come under recent criticism for being insufficiently attentive to questions of broader historical and political context (Cressman 2020), a classic critique of phenomenology, and as being insufficiently phenomenological (Ritter 2021). The aim here is not to intervene in these debates about the merits and shortcomings of post-phenomenological method in the philosophy of technology or whether post-phenomenology is sufficiently phenomenological but rather to understand how the concept of institution transformed phenomenological analysis and how this might be of some use in approaching the question of technology from a phenomenological perspective. Looking at institution in this way may also shed some light on the concept itself and help us to understand it’s limitations.

 

 

Tiago Carvalho

U Porto

Já Está Arranjado? Do Estatuto e Sentido da Reparação de Artefactos

24 October 2023, 16h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

O título da minha comunicação baseia-se em larga medida no capítulo escrito para um livro ainda no prelo sobre manutenção e reparação de artefactos e infra-estruturas. A ideia ao longo da apresentação será explorarmos como a reparação de um artefacto levanta várias questões metafísicas e epistémicas. Será que reparar implica restaurar a função própria de um certo artefacto? E o que implica saber reparar um artefacto? Há alguma relação entre o saber científico e tecnológico necessário à construção de um artefacto e o saber necessário à respectiva reparação? Pode haver uma ciência da reparação? Para tentar responder a estas questões utilizarei conceitos da pós-fenomenologia e de teorias metafísicas da função de artefactos de forma a avançar com uma teoria geral da reparação que coloca a ênfase no sentido que um certo artefacto cumpre no mundo da vida dos seus utilizadores. Pretendo também estabelecer como a natureza do saber necessário à reparação é um saber prático, tácito e altamente contextualizado, mas precisamente por isso, um saber frágil e precário. A reparação é uma acção hermenêutica que abre a caixa negra do artefacto e põe em jogo a sua ambiguidade, i.e., e a forma como as intenções e as formas de vida dos utilizadores interagem com as intenções dos fautores dos artefactos. Essa ambiguidade é por sua vez posta em evidência através da forma como a transferência de artefactos entre diferentes culturas gera diferentes interpretações sobre a sua função.

 

Grupo de Leitura Filosofia Animal – 6º ciclo

Sobre a alma e a razão dos animais: perspectivas históricas

Início: 19 de Outubro 2023 |  Término: 21 de Dezembro 2023 – via Zoom

Horário: 13h00 – 15h00 (Lisboa – GMT+1)* | 9h00-11h00 (Brasília)

[Devido à mudança de fuso-horário na Europa, a partir de Novembro os encontros acontecerão das 12h00 às 14h00. O horário no Brasil continuará o mesmo.]

Contato: animalphilosophy.diversitas@gmail.com

Inscrições: https://bit.ly/almadosanimais

 

A atividade é aberta e é necessário realizar inscrição. A periodicidade é semanal, às quintas-feiras, pela plataforma Zoom. Serão emitidos certificados de participação a partir de 70% de frequência. Para o encerramento do ciclo, será realizado um colóquio.

 

DESCRIÇÃO

O problema da diferença específica é uma discussão que percorre a história do pensamento. No Ocidente, durante a Idade Antiga, Média e Moderna, a alma e a razão foram os critérios escolhidos para fundamentar e garantir a distinção entre homens e animais (e também, já entre homens e crianças, homens e mulheres, homens e escravos). Esse debate, longe de ter acontecido em via unilateral de concordância, foi composto por variadas interpretações que forneceram estofo para heterogeneas cosmologias. No entanto, contextualizações políticas e religiosas ajudaram a eleger uma em detrimento de outras, sendo a ascensão do cristianismo um fator decisivo para amplificar as teorias filosóficas que melhor se encaixassem na mitologia bíblica e sua sustentação da excepcionalidade humana. Ao longo do tempo, devido à indissociação da alma e da razão, duas saídas tiveram grande destaque e influência na cultura: uma, a de inventar modalidades diferentes de almas, e, portanto, de capacidades cognitivas, onde os animais eram reconhecidos como seres dotados de almas inferiores, capazes de cognição, mas não de razão. Outra, de por fim, retirar qualquer traço de alma e cognição deles.

A despeito de na contemporaneidade o postulado da alma não ser mais o dispositivo orientador da distinção antropológica e de inferiorização dos animais outros que humanos, a alma, ou a ausência dela, é o que pulsa como origem e herança para outros conceitos relativos à interioridade que assumiram o seu lugar: mundo, linguagem, mente, inconsciente, etc. Jacques Derrida deixa como indicação de futuro por vir a necessidade de investigarmos as construções que forjaram o que foi chamado de “os próprios do homem”, para assim desconstruí-las e criarmos novas relações com os animais, não mais pautadas na condição de soberania e subalternidade. Donna Haraway fala da importância de aprender a não negar a heranças, mas sim contá-las, para não as herdar. Em suma, as teorias de origem precisam ser faladas.

No 6º ciclo do Grupo de Leitura Filosofia Animal “Sobre a alma e razão nos animais: perspectivas históricas”, retomaremos essa problemática a partir de alguns textos da Antiguidade até o século XIX. Propondo uma investigação histórica, trabalharemos trechos escolhidos de Platão, Aristóteles, Porfírio, Plotino, Agostinho, Tomás de Aquino, Montaigne, Descartes, La Mettrie, Condillac, a fim de analisar os movimentos e desdobramentos das ideias sobre a alma e a razão nos animais, que alimenta a tradição humanista especista.

A bibliografia detalhada e os textos serão enviados por e-mail, uma semana antes do primeiro encontro.

 

Sobre o Grupo de Leitura Filosofia Animal

O Grupo de Leitura Filosofia Animal é um trabalho de parceria entre o Grupo de Pesquisa sobre Ética e Direitos dos Animais do Diversitas-FFLCH/USP e o Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Tem como objetivo reunir pessoas dispostas a, coletivamente, ler e discutir textos clássicos e contemporâneos que se dediquem à análise das complexas relações entre humanos e outros animais, abarcando também o tema da animalidade nos âmbitos da ontologia, da política, da cultura, da ética e da atual crise ecológica, transitando por diferentes campos do conhecimento.

Realizamos um ciclo de leitura por semestre. Os encontros são semanais e, a depender do ciclo, sempre no período da manhã no horário do Brasil e no início da tarde no horário de Portugal. O primeiro ciclo foi dedicado a leitura do livro O animal que logo sou (a seguir), de Jacques Derrida. O segundo, foi dedicado ao tema “Devires-animais?” . O terceiro, a leituras de Donna Haraway; o quarto, a textos de Judith Butler e Emanuel Levinas sobre os conceitos de precariedade e alteridade, respectivamente; e o quinto, ao livro O que os animais nos ensinam sobre política, de Brian Massumi.

A cada finalização de ciclo são realizados eventos na forma de colóquios ou palestras com convidadas(os) externas(os), com o objetivo de melhor aprofundar os estudos e ampliar as discussões para além do trabalho realizado pelo grupo.

 

ORGANIZAÇÃO
Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Grupo de Pesquisa sobre Ética e Direitos dos Animais do Diversitas – FFLCH/USP (Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – Universidade de São Paulo)

 

COORDENAÇÃO
Dirk Michael Hennrich – CFUL (Lisboa) / Diversitas (FFLCH/USP)
Luanda Francine Garcia da Costa – CFUL (Lisboa) / Diversitas (FFLCH/USP)

Pietro Gori

IFILNOVA

Questões da Metafísica e Prática de Ação em William James

17 October 2023, 16h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

A palestra focar-se-á na obra Alguns problemas de filosofia de William James, publicada póstuma em 1911 e em que James liga numa visão unitária as reflexões desenvolvidas após a publicação dos Principles of Psychology. Colocando o Homem no centro da interrogação filosófica enquanto único verdadeiro princípio de significância do referido da experiência, James delineia uma concepção segundo a qual as questões de metafísica só podem ser colocadas no contexto duma filosofia da ação, para poderem ser relevantes. Isto é, o nível da praxis é que doa sentido ao trabalho teórico, para James, pois qualquer compromisso epistêmico reflete-se, de facto, nas escolhas que são feitas no nosso dia-a-dia. Consequentemente, o trabalho crítico da filosofia – orientada pragmaticamente, como é óbvio – torna-se extremamente importante, pois é justamente esse trabalho que, tocando nos alicerces da nossa mundividência, fundamenta uma prática de ação e até pode orientar as nossas vidas.

Filipe Campello

Federal University of Pernambuco

O que vem depois das críticas decoloniais?

30 May 2022, 17h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

O papel de experiências subjetivas e emoções na crítica social não é imune a ambiguidades. Ao longo de abordagens associadas ao debate decolonial, vemos a tendência em direção a narrativas (inter)subjetivas como forma de resistência contra supostas noções de universalidade e racionalidade que seriam, na verdade, excludentes — o problema de quem é reconhecido como capaz de falar em nome da razão. Enquanto tenta-se superar o que foi chamado de injustiça epistêmica, permanece em disputa se conceitos como objetividade, universalidade ou verdade ainda podem ser relevantes, especialmente diante de contextos de relativismo moral, notícias falsas, negação da ciência, etc. Nesta palestra, quero abordar essas tensões, discutindo como críticas decoloniais —de forma mais propositiva, como é possível encontrar em pensamentos ameríndios— podem contribuir para a ampliação da nosso vocabulário e imaginação política. Argumento que tais cosmovisões, por um lado, colocam em questão as imagens e narrativas que temos à nossa disposição. Aqui, o horizonte semântico que articula nossas práticas também nos convida a viver de forma imaginativa e esteticamente, com diferentes maneiras de ser e falar o mundo. Por outro lado, esse esforço também pode ser visto como um esforço em direção a um pluriversalismo, sem com isso se deva abdicar de um terreno comum para crítica.

 

 

Adriana Veríssimo-Serrão

Praxis-CFUL | University of Lisbon

Mundo da Vida e Vida da Técnica: A Tragédia da Cultura Moderna segundo Georg Simmel

23 May 2023, 17h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Resumo

Georg Simmel (1858-1918) terá sido o primeiro filósofo a conduzir uma rigorosa descrição da civilização técnica, estudando as implicações do predomínio da cultura objectiva sobre a cultura subjectiva, não apenas nas esferas económica e social (a economia monetária e a divisão do trabalho), mas também nas diferentes modalidades de pensamento (a hegemonia das ciências naturais, o espírito analítico, a matematização, o intelectualismo). As descrições que compõem Philosophie des Geldes, de 1900, irão sendo integradas, em escritos posteriores, numa visão filosófica do mundo de matriz orgânica, para a qual todos os fenómenos se inter relacionam e mutuamente se alteram segundo o princípio da acção e da efectuação recíproca (Wechselwirkung). A noção de tragédia da cultura (“Der Begriff und die Tragödie der Kultur”, 1911) oferece um seguro fio hermenêutico para nos orientarmos nesta imensa teia de inter-relações: a cultura produz formas, que ora mantêm viva a energia da subjectividade que as cria, ora se desprendem dela para ganharem um estatuto de formas autónomas dotadas de existência própria. Em ensaios já clássicos sobre as grandes cidades (“Die Gröβstädte und das Geistesleben”, 1903) ou a moda (“Philosophie der Mode”, 1905), esta tensão entre formas viventes e formas objectivadas está presente na organização da vida quotidiana, nos estilos e comportamentos, nas relações interpessoais, e mesmo na sensibilidade dos indivíduos. O sombrio diagnóstico de Simmel sobre o incremento do mundo da técnica e dos poderes supra-individuais abre uma outra questão de natureza ética e antropológica: qual o futuro dos indivíduos em sociedades complexas e altamente mecanizadas? (“Die beiden Formen des Individualismus”, 1901; Lebensanschauung. Vier metaphysische Kapitel, 1918).

 

 

 

Marco Damonte

University of Genova

Gardens, Landscapes and “Green Spaces”: From Aesthetic Contemplation To Hedonistic Desperation In Assunto’s Anthropological Thought

16 May 2023, 17h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

The renewed ecological sensibility and the new attention towards the interaction between human beings and nature also have consequences on the design of human environment. In this context, the role of philosophy becomes relevant: my lecture will analyze the contribution of the Italian philosopher Rosario Assunto (1915-1994), who was able to dwell on the role of gardens and, more generally, of the European landscape, from the second post-war period to the so-called economic-boom, to end up with the Eighties, a period marked by strong urbanization and agricultural industrialization. By rediscovering Assunto’s legacy, using his historical method and referring to his philosophical and literary sources, I will answer the following questions: what is a garden? What is a landscape? What is the relationship between a garden and a landscape? His answers are not so much aimed at providing definitions, as at showing the link between the history of gardening and the history of philosophy. Under this point of view, both gardens and the landscapes they are inscribed in express the spirit of an entire era, showing the role played by the contemplation of beauty. However, Assunto goes beyond both the Neoplatonic concept of beauty and the romantic ideal linked to the landscape: he considers the garden as a real language, aiming at the flourishing of the human being. These considerations help to understand Assunto’s ferocious criticism of “green-spaces”, devoid of aesthetic value and agricultural factories, unable to generate landscapes. In both cases, nature is plagued by the urges of economy and the frenzy of the modern world, whereby lifestyle dehumanizes human beings. Despite the new context where we find ourselves, Assunto’s reflection, deprived of any excess of historicism and erudition that may characterize it, remains a warning to anyone due to design the living space for human beings, so that it truly contributes to an integral humanity.

Marta Faustino

NOVA University Lisbon

On the ‘How’ and the ‘Why’. Nietzsche’s Version of Happiness and the Good Life

2 May 2023, 17h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

“People don’t strive for happiness, only the English do” (TI, Arrows, 12). Based on this and other similar claims, Nietzsche is commonly interpreted as strongly despising and even rejecting any possible conception (or pursuit) of happiness and what the ancients called ‘the good life’. And yet, one of the most pervasive topics in Nietzsche’s work is the problem of human suffering, the pursuit of meaning (or purpose) in life and the possibility of a joyful or affirmative disposition towards existence. Despite his general suspicion against classic definitions of happiness, by shifting attention from the happy to the meaningful life, Nietzsche concludes, in the same aphorism, that “If you have your ‘why?’ in life, you can get along with almost any ‘how?’” (idem). Having this aphorism as a starting point, this talk will show that Nietzsche’s criticism to common conceptions of happiness should be seen as a complexification, rather than a rejection, of the very notion of human happiness, with important implications for contemporary discussions on the topic. After contrasting Nietzsche’s views with some of the main contemporary theories of happiness, I will emphasize the relevance of achieving meaning or purpose in life (rather than pleasure, satisfaction or any particular goods) and outline what I take to be Nietzsche’s most important contributions to the contemporary debate on happiness, meaning and well-being in human life.

 

 

 

 

5º ciclo: 28 de abril – 30 junho 2023

O que os animais nos ensinam sobre política, de Brian Massumi

 

Início: 28 de abril | Término: 30 de junho 2023 – via Zoom

Horário: 13h00 – 15h00 (Lisboa – GMT+1) | 9h00-11h00 (Brasília)

Contato: animalphilosophy.diversitas@gmail.com

Inscrições:

A atividade é aberta e é necessário realizar inscrição. Os encontros acontecerão com periodicidade semanal, às sextas-feiras, pela plataforma Zoom. Serão emitidos certificados de participação a partir de 70% de frequência. Para o encerramento do ciclo, será realizado um colóquio.

 

DESCRIÇÃO

O quinto ciclo do Grupo de Leitura Filosofia Animal (Diversitas-FFLCH/USP e Grupo Praxis- CFUL) abre o convite para o estudo do livro O que os animais nos ensinam sobre política, do filósofo canadense Brian Massumi.

No âmbito da dissolução da ideia de que os animais sejam mecanismos dominados pelo automatismo instintivo sem espaço para criação, Massumi põe em discussão, de modo ímpar, o tema do jogo, do brincar e da criação, a fim de pensar o pertencimento singular humano no continuum animal, sustentando tanto as zonas de indistinção como as zonas de diferença. O gesto de brincar “reúne atos pertencentes a diferentes arenas em sua diferença. É com a não coincidência que se brinca” (p. 15). Nessa direção, o autor oferece uma importante contribuição aos Estudos Críticos Animais: fazer jogo com a diferença e criar uma mútua inclusão, jogar com a animalidade ao invés de fazer guerra, liberar o instinto dos pressupostos do pensamento moderno, pensar uma outra “política animal”, uma biopolítica não-antropocêntrica que se assenta na alteração da imagem que temos de nós mesmos e dos outros animais.

A programação e outras informações serão enviadas por e-mail, após a inscrição pelo formulário:

Bibliografia:
Massumi, Brian. O que os animais nos ensinam sobre política. Trad. Francisco Trento e Fernanda Mello. São Paulo: N-1 edições, 2021.

 

Sobre o Grupo de Leitura Filosofia Animal
O Grupo de Leitura Filosofia Animal é um trabalho de parceria entre o Grupo de Pesquisa sobre Ética e Direitos dos Animais do Diversitas-FFLCH/USP e o Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa. Tem como objetivo reunir pessoas dispostas a, coletivamente, ler e discutir textos clássicos e contemporâneos que se dediquem à análise das complexas relações entre humanos e outros animais, abarcando também o tema da animalidade, nos âmbitos da ontologia, da política, da cultura, da ética e da atual crise ecológica, transitando por diferentes campos do conhecimento.

Realizamos um ciclo de leitura por semestre. Os encontros são semanais e a depender do ciclo, podem ocorrer às sextas-feiras ou às quartas-feiras, sempre no período da manhã no horário do Brasil e no início da tarde no horário de Portugal. O primeiro ciclo foi dedicado a leitura do livro “O animal que logo sou (a seguir)”, de Jacques Derrida. O segundo, foi dedicado ao tema “Devires-animais?”, o terceiro, a leituras de Donna Haraway e o quarto, a textos de Judith Butler e Emanuel Levinas, respectivamente, sobre os conceitos de precariedade e alteridade.

A cada finalização de ciclo são realizados eventos na forma de colóquios ou palestras com convidadas(os) externas(os), com o objetivo de melhor aprofundar os estudos e ampliar as discussões para além do trabalho realizado pelo grupo.

 

ORGANIZAÇÃO
Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Grupo de Pesquisa sobre Ética e Direitos dos Animais do Diversitas – FFLCH/USP (Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – Universidade de São Paulo)

 

COORDENAÇÃO
Dirk Michael Hennrich – CFUL (Lisboa) / Diversitas (FFLCH/USP)
Luanda Francine Garcia da Costa – CFUL (Lisboa) / Diversitas (FFLCH/USP)

Enzo Rossi

University of Amsterdam

The Hobgoblin of Moralist Minds

11 April 2023, 17h00 (Lisbon Summer Time — GMT+1)

Sala Mattos Romão (Room C201.J – Department of Philosophy)

School of Arts and Humanities – University of Lisbon

 

Abstract

In this paper I put forward an argument against political moralism—the view that the primary task of political philosophy is to render moral judgments about politics. I focus on the currently predominant form of moralism in Anglophone political philosophy, which renders such judgments by drawing controversial conclusions from widely shared moral commitments. The argument questions the value of seeking consistency between one’s moral commitments, intuitions, and judgments, which is a central desideratum of most moralist approaches. I contend that, in politics, the specific form of consistency sought by philosophers yields virtually no motivational or practical advantage over inconsistency. The only good reason to seek this type of consistency, then, would be if we had sufficient indication that our moral premises are true or justified; but moralists typically seek to bracket these sorts of metaethical questions, and not without reason. Besides, consistency is not a requirement of rationality when it concerns claims that lack epistemic warrant. And so much political moralism ends up looking like a gratuitous intellectual exercise. The upshot is that ordinary practice of making moral judgments about politics does not merit a philosophical extension—unlike the way in which the ordinary practice of making empirical observations merits extension into science, or naturalised philosophy. This argument provides indirect support for certain forms of realism in normative political theory. On these realist approaches normative political judgments should draw exclusively or primarily from non-moral sources of normativity, such as epistemic normativity, prudential normativity, and other options, so as to derive evaluative (but not prescriptive) judgments from social-scientific descriptions of reality.