Marx: Da alienação ao feiticismo

Grupo de Leitura enquadrado no programa de atividades do Praxis-CFUL

Organizador: Rui Filipe (rui.filipe [at] campus.ul.pt)

Quartas-Feiras das 16:00 às 18:00, na Sala Pedro Hispano (Departamento de Filosofia) [ver programa]

Pede-se a todos os interessados em participar o envio de um email ao organizador.

 

Descrição:

Célebre nos estudos à volta de Marx, o conceito de alienação (Entfremdung) tem norteado muitas meditações inspiradas no pensador de Trier. Porém, se olharmos para os textos de maturidade deste autor, rapidamente notamos não só a inexistência deste conceito, como até reparamos um certo cuidado para que ele não seja referenciado de modo explícito. Em vez de tal, vemos como os temas antes abordados com base nessa clave da alienação parecem surgir mais tarde sobre o estandarte do feiticismo da mercadoria (Warenfetischismus).

Com base neste horizonte o presente grupo de leitura propõe um acompanhamento dos momentos cruciais onde é possível surpreender esta mudança de rumo teórica na obra de Marx. Um períplo desta envergadura terá necessariamente de começar por aquelas paragens jovem-hegelianas onde Marx comungava em juventude.  Foi nestas, ainda altamente influenciado por um ideário feurbachiano, que ele nos diz que “a crítica do céu transforma-se em crítica da terra”. Por outras palavras, cabe ao crítico não apenas criticar as expressões teológicas da vida real, mas também criticar essa mesma vida real no seu cerne para perceber como ela se sublima na esfera teológica.

Será deste germe que compreendemos a conhecida quarta tese sobre Feuerbach onde se expressa que “o facto de esta base mundana se destacar a si própria e se fixar, um reino autónomo, nas nuvens, só se pode explicar precisamente pela autodivisão e pelo contradizer-se a si mesma desta base mundana”. Será, por sua vez, desta plataforma que Marx começa a perceber a necessidade de abdicar da alienação como conceito central das suas análises. Se este se pautava, numa senda jovem-hegeliana, por uma carga excessivamente idealista e subjectivista, para se distanciar de tal era preciso recentrar o seu pensar numa ontologia materialista onde a práxis é compreendida objectivamente.

Assim, como último passo do nosso percurso, veremos como este distanciamento surge na sua forma mais completa nos textos de cariz económico de Marx. No fundo, estes serão a expressão crítica, e esclarecida, daquela “autodivisão” antes apenas projectada como objecto a ser pensado por excelência. Serão igualmente a concretização de uma análise que, se antes via na alienação um processo onde se salienta o lado subjectivo da construção de um mundo reificado, agora encontra no feiticismo da mercadoria um mundo objectivamente produzido por aqueles que são oprimidos nele.

 

Programa

1ª Sessão | 23 de Fevereiro 2022

Para a Crítica da Filosofa do Direito de Hegel – Introdução (Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie. Einleitung) 1843 [disponível no link]

 

2ª Sessão | 16 de Março 2022

Para a Questão Judaica (Zur Judenfrage) 1843 p.7-20/31-39 [disponível no link]

 

3ªSessão | 30 de Março 2022

Manuscritos Económico-Filosóficos de 1844 (Ökonomisch-philosophische Manuskripte) 1844 (excertos selecionados) [1º excerto] [2º excerto]

 

4ª Sessão | 20 de Abril 2022

Teses sobre Feuerbach (Thesen über Feuerbach) 1845 [disponível no link]

A Ideologia Alemão (Die Deutsche Ideologie) 1845 (excertos selecionados) [1ºexcerto] [2ºexcerto] [3ºexcerto] [4ºexcerto] [5ºexcerto]

 

5ª Sessão | 4 de Maio

Introdução à Contribuição à Crítica da Economia Política 1858 [disponível do link]

 

6ª Sessão | 18 de Maio

O Capital – O Carácter de Feitiço da Mercadoria e o seu Segredo (Das Kapital – Der Fetischcharakter der Ware und sein Geheimnis) 1867 [disponível no link]