Filosofia da Cultura

 

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DESCRIÇÃO E OBJETIVOS

Na Grécia Antiga, a máxima “conhece-te a ti mesmo” surgiu no panorama da filosofia ocidental e tem acompanhado o homem como pano de fundo do percurso filosófico universal, em busca de um conhecimento unificador de todas as coisas. A Filosofia da Cultura stricto sensu, tal como outras filosofias do genitivo, é um sinal da fragmentação do saber filosófico e da falência de uma visão da totalidade. Se, por um lado, emerge numa época marcada pelo descrédito da filosofia sistemática e especulativa, procura, por outro lado, e em reacção contra o avanço galopante do positivismo e a ramificação das ciências empíricas, recuperar da metafísica clássica o estatuto de saber fundamental.

É na Alemanha das primeiras décadas do século xx que a tensão entre crise da metafísica e crise das ciências se torna consciente, objecto de sombrios diagnósticos quanto ao declínio da civilização (Zivilization), mas, ao mesmo tempo, incentivo de diferentes propostas de refundação da ideia de Cultura (Kultur). O estudo desta época e de alguns textos dos seus protagonistas permitirá lançar luz sobre a nossa actualidade, nomeadamente, sobre o lugar da filosofia e a perenidade ou historicidade dos seus problemas, com particular incidência na Antropologia. O que diz o homem de si próprio? Na primeira metade do século XX, muitos foram os autores que ensaiaram respostas a essa pergunta. E ela continua a ter lugar no panorama filosófico contemporâneo e na investigação científica de primeira ordem.

Este grupo de leitura propõe analisar alguns fragmentos de obras que desenham o percurso do pensamento europeu na tentativa de aperfeiçoar uma resposta, ao longo deste período. Tal percurso começa com Simmel, teórico da Modernidade, que nela descortina a divergência trágica entre o avanço da cultura objectiva e a retracção da cultura subjectiva. Seguem-se Rickert, que identifica cultura com a ordem supra-individual dos valores e Weber na tentativa da definição de um conceito e de um método científico de estudo para a cultura. Heidegger explora a necessidade do estudo sobre a essência do ser e da existência, ou seja a Analítica do Dasein e a dissemelhança com a Antropologia, a Psicologia e a Biologia. Scheler vem estabelecer as características próprias do animal e as do ser humano, com objetivo de estabelecer uma fronteira entre ambos. Por seu lado, Groethuysen recupera a máxima “conhece-te a ti mesmo” e fazendo um percurso histórico da demanda em busca da melhor maneira de cumprir essa recomendação clássica, acaba por indicar um caminho que poderá ter contribuído para um estudo da personalidade, que Mounier vem transformar em “pessoalidade”, propondo-o como centro para o estudo do homem que ainda hoje se mantém em várias ciências como a Psicologia, a Medicina, a Sociologia, entre outras.

 

Língua de trabalho: Português

Organizadores: Prof. Adriana Veríssimo Serrão (adrianaserrao@letras.ulisboa.pt) e Mário Cardoso (mariocardoso@campus.ul.pt)

Para participar, contacte os organizadores por correio eletrónico. 

Quartas-feiras, às 17h30 (ver cronograma)

 

Cronograma

20 Janeiro 2021 (online – via Zoom)

  • Georg Simmel, “Vom Wesen der Kultur”. Trad. port.: Pasti, H. B. (2014). “Da essência da Cultura (1908) de Georg Simmel”. Ideias, 4, 249-261. Recuperado de aquí

3 Fevereiro 2021

  • Heinrich Rickert, Kulturwissenschaft und Naturwissenschaft (1899). Trad. cast.: M. García Morente, Madrid: Espasa-Calpe, 1965

24 Fevereiro 2021

  • Max Weber, Wissenschaft als Beruf (1917). Trad. port: A ciência como vocação, na LusoSofia.

10 Março 2021

  • Martin Heidegger, Ser e Tempo (1927) – Primeiras páginas do capitulo 1: “A Exposição da Tarefa de Análise Preparatória do Dasein”

31 Março 2021

  • Max Scheler, A Situação do Homem no Cosmos (1928) – Primeiras páginas do capitulo 2: “Diferença Essencial entre o Homem e o Animal”

14 Abril 2021

  • Bernard Groethuysen, Antropologia Filosófica (1928) – Capitulo 9 “Perspectivas que Oferece o Desenvolvimento da Antropologia nos Tempos Modernos”

28 Abril 2021

  • Ernst Cassirer, “Introdução” da Filosofia das Formas Simbólicas (1923) ou o início de An Essay on Man (1944).

12 Maio 2021

  • Emmanuel Mounier, O Personalismo (1947) – Primeiras páginas do capitulo 1: “A Existência Encarnada”