{"id":3020,"date":"2024-11-28T20:17:56","date_gmt":"2024-11-28T20:17:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/?p=3020"},"modified":"2024-11-28T20:53:58","modified_gmt":"2024-11-28T20:53:58","slug":"praxis-seminar-2024-25-s4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/praxis-seminar-2024-25-s4\/","title":{"rendered":"Praxis Seminar: Research Colloquium in Practical Philosophy 2024\/25, Session 4"},"content":{"rendered":"<p>Francisco Felizol<\/p>\n<p>Praxis-CFUL<\/p>\n<h5><em>Entre rei sagrado e v\u00edtima microc\u00f3smica, bobo judicial e carrasco executivo: Os v\u00e9rtices antropol\u00f3gicos da soberania ante a amea\u00e7a populista<\/em><\/h5>\n<p>3 December 2024, 17h00 (Lisbon Time \u2014 GMT+0)<\/p>\n<p><strong>Sala Mattos Rom\u00e3o (Room C201.J \u2013 Department of Philosophy)<\/strong><\/p>\n<p>School of Arts and Humanities \u2013 University of Lisbon<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n<p>Em 1975, Foucault entronizava o soberano grotesco como um dos motores do poder. Esta ideia poder\u00e1 ser melhor compreendida e fundamentada com o aux\u00edlio de uma antropologia que detecte as m\u00e1scaras, sombras e misturas com que, nas sociedades humanas, o poder se costuma revestir. Nesta perspetiva, se, na esteira de Frazer, Hocart e Girard, as origens do poder pol\u00edtico parecem remeter ao rei sagrado, tamb\u00e9m este \u00e9 imediatamente remet\u00edvel a outras figuras ou tipos. Sendo rei sagrado j\u00e1 de si potencial v\u00edtima (ou v\u00edtima adiada, e a\u00ed a sua proximidade com o <em>homo sacer<\/em> e o <em>deuotus<\/em>) com cariz microc\u00f3smico (o que acontece ao seu corpo acontece ao cosmos, ao reino), encontra-se na vizinhan\u00e7a antropol\u00f3gica do que tentaremos perceber como o bobo judicial (no \u00e2mbito do riso fertilizante e assassino, apontado, com a crian\u00e7a e o louco, \u00e0 verdade t\u00e3o violenta qu\u00e3o inocente) e o carrasco executivo (a tamb\u00e9m fertilizante execu\u00e7\u00e3o mortal da de-cis\u00e3o que o pode assegurar como soberano). Os tabus imobilizadores, a <em>gravitas<\/em> do rei (ou, hoje, do l\u00edder) fazem mais do que moderar os seus movimentos e decis\u00f5es, sempre perigosos, mais do que conter nele o amb\u00edguo sagrado antropol\u00f3gico (t\u00e3o salv\u00edfico quanto violento): mant\u00eam com ele, aquilo que tentaremos perceber como os outros tr\u00eas v\u00e9rtices da soberania, a v\u00edtima microc\u00f3smica, o bobo judicial e o carrasco executivo, a dist\u00e2ncia segura. Contudo, o progressivo colapso destas dist\u00e2ncias e interdi\u00e7\u00f5es, liberta o sagrado que o rei, em sim deve conter; transborda-se para o palco, sen\u00e3o j\u00e1 para a rua, o trono, o altar, o circo e o pat\u00edbulo. Que tudo se acelera e precipita, mais as quatro figuras se aproximam esbo\u00e7ando a figura do soberano grotesco. Quando, desde os fundamentos do poder soberano, este caos sagrado emerge, assistimos a uma perigosa degrada\u00e7\u00e3o do poder. \u00c0 medida que, no lugar do poder, ante o avan\u00e7ar do espect\u00e1culo igualizado em que se torna a pol\u00edtica, se assiste \u00e0 queda de barreiras e limites, o soberano grotesco e os seus perigos parecem regressar, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, na forma do que usamos chamar de populismo. Talvez por esta via, se possa compreender melhor a atrac\u00e7\u00e3o, aparentemente contempor\u00e2nea, deste e do l\u00edder que lhe d\u00e1 rosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Felizol Praxis-CFUL Entre rei sagrado e v\u00edtima microc\u00f3smica, bobo judicial e carrasco executivo: Os v\u00e9rtices antropol\u00f3gicos da soberania ante a amea\u00e7a populista 3 December 2024, 17h00 (Lisbon Time \u2014 GMT+0) Sala Mattos Rom\u00e3o (Room C201.J \u2013 Department of Philosophy) School of Arts and Humanities \u2013 University of Lisbon &nbsp; Abstract Em 1975, Foucault entronizava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"activitypub_content_warning":"","activitypub_content_visibility":"","activitypub_max_image_attachments":4,"activitypub_interaction_policy_quote":"","activitypub_status":"federate","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3020","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3020"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3022,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3020\/revisions\/3022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}