{"id":2866,"date":"2024-03-08T15:29:38","date_gmt":"2024-03-08T15:29:38","guid":{"rendered":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/?p=2866"},"modified":"2024-03-18T11:42:22","modified_gmt":"2024-03-18T11:42:22","slug":"praxis-seminar-2023-24-s13","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/praxis-seminar-2023-24-s13\/","title":{"rendered":"Praxis Seminar: Research Colloquium in Practical Philosophy 2023\/24, Session 13"},"content":{"rendered":"<p>Mariana Teixeira<\/p>\n<p>Praxis-CFUL<\/p>\n<h5>Ambiguidade e Dilacera\u00e7\u00e3o: Simone de Beauvoir Entre o Eco- e o Xeno-Feminismo<\/h5>\n<p>12 March 2024, 17h00 (Lisbon Time \u2014 GMT+0)<\/p>\n<p><strong>Sala Mattos Rom\u00e3o (Room C201.J \u2013 Department of Philosophy)<\/strong><\/p>\n<p>School of Arts and Humanities \u2013 University of Lisbon<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre g\u00e9nero como constru\u00e7\u00e3o social e sexo como dado biol\u00f3gico tem implica\u00e7\u00f5es emancipat\u00f3rias bem conhecidas: se as mulheres n\u00e3o s\u00e3o naturalmente inclinadas a determinados pap\u00e9is, espa\u00e7os e actividades sociais, ou seja, se estes condicionamentos s\u00e3o historicamente impostos, tamb\u00e9m podem ser historicamente transformados. Por mais libertadores que tenham sido os seus efeitos, esta ideia foi mais tarde contestada por uma suposta deprecia\u00e7\u00e3o masculinista da natureza em favor da ag\u00eancia humana. No \u00e2mbito do feminismo, estas posi\u00e7\u00f5es opostas s\u00e3o representadas pelas vertentes xeno- e ecofeminista: enquanto a primeira v\u00ea a emancipa\u00e7\u00e3o como transcend\u00eancia, como dom\u00ednio da natureza, a segunda equipara-a antes \u00e0 iman\u00eancia, a uma liga\u00e7\u00e3o harmoniosa com a natureza. Em ambos os casos, no entanto, a divis\u00e3o sexo\/g\u00e9nero tende a ser preservada na sua dicotomia aparentemente intranspon\u00edvel. Para evitar a ado\u00e7\u00e3o unilateral de um dos p\u00f3los &#8211; natureza ou cultura, iman\u00eancia ou transcend\u00eancia -, sugiro que um tratamento mais convincente da rela\u00e7\u00e3o entre sexo e g\u00e9nero (natureza e cultura, corpo e mente) pode ser obtido a partir dos escritos de Simone de Beauvoir. Embora critique decididamente o confinamento multissecular das mulheres \u00e0 iman\u00eancia, Beauvoir n\u00e3o equipara a emancipa\u00e7\u00e3o ao mero aumento do controlo das mulheres sobre os seus corpos e o mundo natural, , uma vez que a iman\u00eancia n\u00e3o \u00e9 vista apenas como um limite \u00e0 transcend\u00eancia, mas tamb\u00e9m como a sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de possibilidade. A conce\u00e7\u00e3o intersubjectiva de Beauvoir da individualidade e a sua recusa de uma dualidade ontol\u00f3gica entre natureza e esp\u00edrito permitem, assim, uma conce\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana como simultaneamente sujeito e objeto. Para compreender as diferentes formas de experienciar esta tens\u00e3o, proponho ainda uma distin\u00e7\u00e3o entre ambiguidade existencial e dilacera\u00e7\u00e3o contingente. Deste modo, numa perspetiva beauvoiriana, a emancipa\u00e7\u00e3o seria concebida n\u00e3o como a elimina\u00e7\u00e3o da ambiguidade entre iman\u00eancia e transcend\u00eancia; em vez disso, envolveria a supera\u00e7\u00e3o, por meio do movimento rec\u00edproco das subjectividades encarnadas, de uma dilacera\u00e7\u00e3o n\u00e3o mediada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana Teixeira Praxis-CFUL Ambiguidade e Dilacera\u00e7\u00e3o: Simone de Beauvoir Entre o Eco- e o Xeno-Feminismo 12 March 2024, 17h00 (Lisbon Time \u2014 GMT+0) Sala Mattos Rom\u00e3o (Room C201.J \u2013 Department of Philosophy) School of Arts and Humanities \u2013 University of Lisbon &nbsp; Abstract A distin\u00e7\u00e3o entre g\u00e9nero como constru\u00e7\u00e3o social e sexo como dado biol\u00f3gico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"activitypub_content_warning":"","activitypub_content_visibility":"","activitypub_max_image_attachments":4,"activitypub_interaction_policy_quote":"","activitypub_status":"federate","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2866"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2867,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2866\/revisions\/2867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cful.letras.ulisboa.pt\/praxis\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}