CURSO LIVRE 2º SEMESTRE: TEMPO, IMAGINAÇÃO E LINGUAGEM

February 11, 2026

O senso comum, mas também a filosofia, têm privilegiado a percepção e o presente na nossa abordagem do real. Porém o idealismo e mais recentemente a fenomenologia relevaram a importância da imaginação e da temporalidade na abertura de possibilidades e na constituição do sentido. No presente curso procurar-se-á explorar as fontes fenomenológicas e poéticas do pensar e da linguagem, onde o tempo se temporaliza de modo vivo, lançando o homem em formas novas de compreender o ser e configurar o mundo como manifestação da verdade.

O curso destina-se a alunos de Filosofia ou das Humanidades que queiram aprofundar os seus conhecimentos em Ontologia, Hermenêutica filosófica e História da Filosofia. Ocorre semanalmente às quartas-feiras das 17 às 19.30 horas e confere a creditação correspondente a uma DE (Disciplina Específica).

 

SINOPSE PROGRAMÁTICA

  1. Apesar de, com a imaginação, articular o tempo e o conceito fazendo do esquematismo a chave da actividade sintética do pensar, Kant excluiu a temporalidade da função lógica do “eu penso”, limitando-a ao campo fenoménico do sentido interno. Será o idealismo a explorar as virtualidades da sua descoberta do poder configurador da imaginação produtora.
  2. Para Fichte, tudo é expressão da liberdade da vontade, desse “acto-acção” (Tat-handlung) originário que, lançando a subjectividade para fins, está na génese do tempo. E é na senda da unificação do finito e do infinito, que Hegel, partindo da temporalidade e dando, com a negatividade, prioridade ao futuro e á orientação teleológica do pensar, vai explicitar o carácter histórico do a priori, mostrando como a razão tem a sua própria legalidade imanente de se autoconfigurar e objectivar.
  3. Na mesma linha, mas sem admitir a dialéctica, Dilthey vai destacar o poder que a vida histórica tem de se compreender e interpretar como um todo significativo de vivências orientado para fins e valores, produzindo expressões simbólicas de si mesma, que vão ser a base da hermenêutica como metodologia das “Ciências do Espírito” (Geiteswissenschaften).
  4. E é na sua esteira que Heidegger vai procurar uma nova forma de ontologia como ciência pré teórica assente na evidência de fenómenos originários e sua interpretação. A seu ver, o primado da representação na metafísica neutralizou a dimensão significante, evenemencial e apropriante daqueles, obstruindo o acesso do pensar à experiência genuína do ser como tal. Importa, por isso, regressar às fontes do pensar, onde o tempo se temporaliza de modo vivo lançando o homem em modos possíveis de compreender o ser e de, à sua luz, configurar o mundo como manifestação do ente na sua inteireza. Abrindo à possibilitação, a essenciação da verdade do ser não é sujeito nem objecto, mas expressão historial do poder criador do Lógos (Heraclito), da razão (Santo Agostinho), do espírito absoluto (Hegel), que o pensar é chamado a acolher de modo poético e sem objectivação.

 

Total: horas totais: 168; horas de contacto: 45 (15T;30TP) – 6 ECTS

Inscrições em Cursos Livre de Filosofia  – Preencher o formulário

Custo de inscrição: 20€

Início: 11/02/2025

Fim: 27/05/2026

 

Inscrições até 09 de Fevereiro

Quando:

Quartas-feiras das 17 às 19h30

Onde:

Sala C013, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa