Colóquio Mãe Natureza. Terra Viva

May 14, 2018

A abordagem predominante da crise ambiental – com base na filosofia teórica, nas ciências do ambiente, na ética ambiental antropocêntrica, na política, na economia e num activismo meramente reactivo – não tem tido, pesem todos os seus imensos contributos positivos, o efeito necessário, seja nos centros de decisão, seja na consciência das populações. Não parece, que estas abordagens tenham apontado o fundo da questão, que porventura se prende com uma percepção fundamentalmente errada da natureza da realidade, em que o ser humano se vê como separado dos demais seres vivos e do fundo comum que designa como Terra, Mundo, Vida ou Natureza. A crise ambiental é reflexo da crise multidimensional da contemporaneidade e pode efectivamente ter a sua origem radical numa crise de percepção da interdependência e relação profunda que existe entre tudo e todos, numa distorção ou obscurecimento da consciência, não reconhecida por muito do ambientalismo ou ecologismo.
Perante isto, cabe investigar o que têm a espiritualidade, as religiões, as tradições contemplativas e religiosas, a ciência holística e a experiência contemplativa e estético-artística, independentemente de qualquer filiação espiritual ou religiosa, a dizer sobre a realidade profunda do que se designa como Natureza e Terra e sobre o sentido da nossa relação com elas. Importa aprender com as tradições e os seres humanos que percepcionam a Natureza como sagrada, como manifestação divina ou Realidade última , importa aprender com as tradições e os seres humanos que, mais do que pretenderem conhecer ou servir-se da Terra, a experienciam como aparição e epifania, no regime do maravilhamento e espanto contemplativos e celebrativos e não na perspectiva fragmentada no da vontade filosófico-conceptual ou científico-tecnológica. Importa aprender com outras matrizes culturais, que vivem em harmonia com a Natureza e que estão menos contaminadas pelo dualismo sujeito-objecto em vigor no regime de consciência dominante na cultura europeia-ocidental hoje globalizada.

Entrada livre

Mãe Natureza, Terra Viva
Ecologia espiritual, ecosofia e ecologia profunda
perante a crise ambiental

14-15 de Maio de 2018
Anf. III
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
(Metro Cidade Universitária)

Programa

14 de Maio –
9: 30 – Abertura
10:00 – 11:30
Joana Miranda – Ressacralização da Natureza – contributos do xamanismo essencial
Alcide Gonçalves – Para uma melhor compreensão Homem-Natureza: uma proposta Taoísta
Jorge Moreira – A Emergência da Ecologia Espiritual

11:30 – 13:00
José Pinheiro Neves – Das metatopias urbanas como formas de uma cidade ecosófica
Mafalda Blanc – Viragem epocal: uma possibilidade historial
Alina Jerónimo – A Arquitetura como elemento de ligação entre o ser humano e a Natureza

14:30 – 16:00
Alexandra Lima Gonçalves Pinto – Cinema e Consciência: Visões da Terra
Susana Lourenço – Arte e Consciência: formas de comunicação e colaboração com a Natureza
Sara Inácio – O pulsar da criação: 20 minutos, 4 desenhos, 1 escultura e 1 prece.

16:00 – 17:30
Rui Lomelino de Freitas – Só resultados – não intenções – podem salvar o mundo: Contribuições do Hermetismo para uma Ecologia Profunda
Isadora Migliori – Um olhar, a partir da física quântica, sobre a atual crise ambiental
Bruno Antunes – Enlaces Quânticos. “Quantum entanglement” & “spooky action at distance” – a introdução da “assombração” na ordem dos discursos da física subatómica, pela pena de Albert Einstein.

17:45 – 19:15
Isabel Correia – “A Grande Mudança” – Como estar totalmente presente ao nosso mundo e envolver todos na Transição Climática?
Alexandra Marcelino – Direitos da Natureza e Direitos Humanos. Uma e a mesma causa (apresentação da petição do Círculo do Entre-Ser pelo Reconhecimento de Direitos Intrínsecos à Natureza e a Todos os Seres Vivos).
Maria José Varandas – Esquecimento e memoração. O Papa Francisco e a conversão ecológica

15 de Maio –
10:00 – 11:30
Maria Paula de Vilhena Mascarenhas – Culturas alimentares ecológicas
Maria Luísa Francisco – A Serra Algarvia e as suas dinâmicas eco-espirituais
João Miguel Louro – Permacultura, da técnica a uma visão holística da natureza, na abundância

11:30 – 12:30
Cláudia Martins – Yoga e Consciência ecológica: do Áshrama para o Mundo
Therezinha Ebert-Gomes – Psicoterapias de imersão na Natureza: Marterapia e Jardinagem Terapia
Pedro Cuiça – Pedifesto Eco-lógico: passo a passo da teoria à prática. Não te esqueças de fazer o pino e, olhando os pés, ver as estrelas…

15:00 – 16:30
Paula Morais – O Yoga e o Sámkhya na perspectiva de uma Ecologia cósmica
Daniel José Ribeiro de Faria – O divino, o humano e a natureza: pistas para uma espiritualidade cristã ecológica
Fabrizio Boscaglia – Islão e Ecologia

16:30 – 18:00
Daniela Velho – Corpo Consciência
Jorge Leandro Rosa – As facetas de Gaia no colapso e na extinção. Do mito à metáfora heurística
Paulo Borges – Abertura da Consciência e Mudança de Civilização. Repensar a Natureza, a Terra e Eros a partir de Hesíodo

18:30 – 19:30
Paulo Borges e Daniela Velho – Apresentação do livro Os Animais, Nossos Próximos. Antologia do amor humano aos animais (da Antiguidade a Fernando Pessoa) (Edições Mahatma)

19:30 Encerramento

Organização: Seminário Permanente Vita Contemplativa. Tradições Contemplativas e Cultura Contemporânea (Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa)

Apoio: Círculo do Entre-Ser

Comissão Organizadora:

Paulo Borges
Fabrizio Boscaglia
Paula Morais
Jorge Moreira