Apresentação do livro “O Apocalipse segundo Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz” de Paulo Borges, 21 de Novembro, 18:30

Com a presença do autor e recitação de textos por Ângela Santos, Daniela Velho e Maria Paula Lourinho

Local: O Coração do Mundo, Av. Duque de Ávila, 95, 3º andar (junto ao Metro Saldanha)

 

A obra é a base do guião do espectáculo multi-artístico com o mesmo nome que se estreou recentemente no Teatro do Bairro, em Lisboa, e terá uma nova representação no Teatro D. João V, na Damaia, em 25 de Novembro, às 21:30

“Sozinho, no cais deserto, nesta Hora sem tempo
Olho pro lado da barra, olho pro Infinito
Olho sem olhos, corpo-alma transido de saudade
Olho a fúria deste céu de crepúsculo e tempestade
E a Distância começa em mim a girar
A Distância começa em mim a girar
A Distância começa em mim a girar”

“Sou A-que-não-é, A-que-não-foi, A-que-jamais-será
A matriz imensa que a tudo dá à luz, nutre, reabsorve e recria
A mãe, irmã, esposa e amante de todos os seres e coisas
O Alfa-Ómega
A Toda-Poderosa que nada pode senão tudo amar
A infinita saudade que há em todas as coisas
O Infinito-Saudade”

“Não apareci senão para te iniciar ao Amor
Para te insuflar boca na boca o Fogo-Sopro do mundo
Para unirmos os corações ardentes
No íntimo da carne iluminada”

“Ah, quem me desencantará?
Quem me reconhecerá?
Quem me beijará o coração?
Quem me amará e fecundará?
Quem erguerá a mão, encontrará hera
E verá que “ele mesmo era
A Princesa que dormia”?”

“Cesse aqui todo o pensamento, imaginação e linguagem
Dissipem-se todos os véus de conceitos, palavras e símbolos
Finde tudo o que a musa antiga canta
Que outro valor mais alto se levanta
Nada acrescentemos ao espanto, perplexidade e maravilhamento
Deste imenso esplendor e prodígio!”

“Vinde a nós, ó vós todos em cujo íntimo desde sempre habitamos!
Vinde a nós, ó vós todos em cujo coração agora mesmo ressurgimos!
Vinde, ó vinde, vós todos que sois Todo o Mundo e Ninguém!
Ó vós todos, povos-seres de todo o cosmos que trazeis no coração um Mundo Novo!
Aqui e Agora vos convocamos
É a Hora da Grande Mutação
A Hora das Horas
A Hora dos quatro tempos refluírem para o centro anterior a tudo
E ressurgirem como o Quinto
O Império sem império
A Era sem tempo
A Era sem era do despertar da consciência-coração na visão-amor universal!

Ó excelsas irmandades e confrarias do Quinto Império sem império nem imperador a não ser a coroada criança que dança de roda e olhos atónitos num rodopio de espantos, pombas e rosas!
Ó excelsas irmandades e confrarias do Império do Santo Espírito, que ninguém sabe de onde vem nem para onde vai, sopra onde quer e fala um silêncio de todas as línguas!
Ó excelsas irmandades e confrarias dos amantes andróginos, que conduzem ao altar interno o masculino e o feminino e o unem em Núpcias mais vastas que o espaço que explodem em festas e folias de amor por todos os seres e coisas!

Vinde a nós, ó vós todos, que é a Hora!
É a Hora!
A Hora!
Agora!

Valete, Fratres!
Saúde, Irmãos!”

Entrada Livre

O novo livro de Paulo Borges, “Do Vazio ao Cais Absoluto ou Fernando Pessoa entre Oriente e Ocidente” (Lisboa, Âncora, 2017) será apresentado pelo escritor e pensador Miguel Real na Sala de Actos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa no dia 24 de Maio às 18:30.

Este livro mostra um Fernando Pessoa que transita em duplo sentido entre o Vazio e o Cais Absoluto, dois temas e imagens marcantes na sua obra e icónicos do Oriente e do Ocidente. Na verdade, um Fernando Pessoa que, bem pessoanamente, se move entre um e outro, sem jamais se fixar num ou noutro. “Entre” é o espaço por excelência do fluxo pessoano. Entremos nele.

Entrada Livre

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Lançamento do livro de Paulo Borges, “Do Vazio ao Cais Absoluto ou Fernando Pessoa entre Oriente e Ocidente”, 27 de Abril, 18:30

Neste novo livro dedicado a Fernando Pessoa, no qual continuamos a explorar a fecundidade filosófica da sua obra e a pensar a partir dela, reunimos estudos sobre as relações explícitas e implícitas do poeta e pensador português com temas centrais da espiritualidade e da cultura orientais e ocidentais. Dotado de um espírito cosmopolita e universalista, Pessoa dialoga directa e indirectamente com as grandes questões do pensamento e da experiência humanos presentes nas tradições planetárias. Cremos ser fundamental investigar e conhecer esta menos atendida mas central dimensão da obra pessoana para uma compreensão mais ampla do seu pensamento, da sua modernidade e da sua fecunda actualidade. No que respeita a esta, cremos que os estudos presentes neste volume mostram como Fernando Pessoa nos lega um poderoso contributo para alguns dos desafios maiores do século XXI, como o conhecimento da natureza e possibilidades profundas da consciência e o encontro e diálogo entre culturas e religiões.

Este livro mostra um Fernando Pessoa que transita em duplo sentido entre Vazio e o Cais Absoluto, dois temas e imagens marcantes na sua obra e icónicos do Oriente e do Ocidente. Na verdade, um Fernando Pessoa que, bem pessoanamente, se move entre um e outro, sem jamais se fixar num ou noutro. Entre é o espaço por excelência do fluxo pessoano. Entremos nele.

 

Paulo Borges – Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do Centro de Filosofia da mesma Universidade. Membro correspondente da Academia Brasileira de Filosofia. Director da revista Todo o Mundo ENTRE Ninguém. Sócio-fundador e ex-membro da Direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Ex-presidente e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. Ex-presidente da União Budista Portuguesa. Sócio-fundador e presidente do Círculo do Entre-Ser, associação filosófica e ética. Autor de centenas de conferências, livros (ensaio filosófico, poesia, ficção e teatro) e artigos em revistas científicas e obras colectivas, publicados em Portugal, Espanha, França, Itália, Roménia, Alemanha e Brasil. Dos livros dedicados a Fernando Pessoa destacam-se: O Jogo do Mundo. Ensaios sobre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa (2009); Uma Visão Armilar do Mundo. A vocação universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (2010); Olhares Europeus sobre Fernando Pessoa (coordenador, 2010); O Teatro da Vacuidade ou a Impossibilidade de Ser Eu. Estudos e ensaios pessoanos (2011); É a Hora! A mensagem da Mensagem de Fernando Pessoa (2013); Nietzsche, Pessoa e Freud (coordenador, com Nuno Ribeiro e Cláudia Souza; 2013); Ode Marítima de Álvaro de Campos, edição e textos interpretativos (com Cláudia Souza e Nuno Ribeiro; 2016); A Renascença Portuguesa. Tensões e Divergências (com Bruno Béu de Carvalho; 2016).

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