NepUL Seminar: 6 november

November 6, 2018

Paulo Antunes

Sala Pedro Hispano

6-11-2018

17H

 

Socialismo (Marxismo) e Pragmatismo nos EUA: a sua primeira “dança”

 

É suficientemente consensual entre os estudiosos do primeiro quartel do século XX que o ano de 1912 foi um ano decisivo e de viragem para o Socialist Party dos EUA. Por um lado, encontravam-se as questões relacionadas com “Big Bill” Haywood, mais propriamente a maneira como os seus sindicatos actuavam – mais violenta e directa –, por outro lado, houve o famigerado caso dos irmãos McNamara que tinham sido acusados em 1911 de colocar uma bomba no Jornal Los Angeles Times, o partido viria em sua defesa, mas depois os dois acabaram por confessar o crime publicamente.

Mas também não pode cair em olvido a tomada de posse de Woodrow Wilson em 1913 e as suas políticas em consonância com o Progressive Movement que serviram para abafar algumas das bandeiras dos socialistas.

Após estes eventos (e outros de que uma apresentação como esta não pode dar conta, senão uma panorâmica geral), a par das dissensões teóricas que abundaram, oSocialist Party experienciou a sua primeira grande cisão, uma cisão que deixaria marcas praticamente irrecuperáveis.

A verdade é que a diversidade de interpretações gizadas antes de 1912, com o intuito de apresentar um “Marx americanizado” e um desenvolvimento social e económico “harmonioso” tal como as constantes analogias biologistas a partir de uma matriz positivista evolucionária davam a entender, vieram servir de desculpa, dado o seu falhanço, para outro tipo de abordagens.

Os radicais norte-americanos olhavam para os escritos de James e Dewey como uma resposta ao desafio lançado pelo positivismo, a influência spenceriana no meio socialista parecia estar perto do fim. No entanto, estes socialistas viriam a encontrar uma sofisticação do empirismo, quando dantes eram mais “rústicos” a avaliar o imediatamente dado. Com o pragmatismo coincidiram na distinção de uma “experiência real” de uma “teoria abstracta”, com a qual arrumavam o marxismo.

Nesta apresentação pretendo recuperar autores como Walling, Lippmann, Eastman e Bourne com vista a ilustrar o que se pode apresentar como a “primeira dança” entre aquelas duas concepções.