nepUL Seminar: 20 february 2017

February 20, 2018

Carl Schmitt sobre o conceito do Político e a crítica ao liberalismo democrático

 

Na obra O Conceito do Político, Carl Schmitt expõe aquele que considera ser o critério determinante de toda a actividade política: a diferenciação entre amigo e inimigo. A motivação fundamental que subjaz a esta investigação em torno do Político reside numa crescente falta de correspondência entre o Político e o Estado, uma clivagem que Schmitt considera ter o seu início com o liberalismo democrático do séc. XIX. Ou seja, não só o Estado teria começado a perder o monopólio de decisão sobre a distinção entre amigo e inimigo, como essa perda seria o resultado de características específicas ao liberalismo democrático. A introdução de critérios próprios ao Político levada a cabo por Schmitt, autonomizando-o face à moral, à economia ou a quaisquer outros “âmbitos de coisas” (Sachgebiete), pode então ser lida em primeira instância como uma reacção ao fim do protagonismo assumido pelo Estado como unidade fundamental da política moderna ocidental. A este respeito, o liberalismo democrático teria contribuído de forma significativa enquanto força neutralizadora do estatuto expressamente político do Estado, privando o Político do seu lugar prévio coincidente com o do Estado. O objectivo da comunicação passa por aprofundar o conceito do Político tal como o apresenta Schmitt, enquadrando-o sempre em referência à posição polémica que o próprio assume perante o liberalismo democrático.