nepUL Seminar: 19 April 2017

April 19, 2017 5:00pm

19 April 2017, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Sala Mattos Romão

Carlos Machado  (Universidade de Lisboa)

Ascenção e crise do espaço público em Hannah Arendt

 

Em The Human Condition, Hannah Arendt procura reflectir sobre o ser humano como ser do mundo e que precisa do mundo para que se dê a emergência do sentimento de si do indivíduo. Indivíduo que só se completa quando actua em conjunto com outros em matérias de interesse comum e da comunidade, ou seja quando age como ser político. O pensamento da filósofa será fio condutor deste trabalho em que, numa tentativa de sintonia fina desse pensamento, questionaremos: em que medida o mundo de hoje confirma as teses da autora de que os elementos constitutivos mais duradouros da condição humana são os da vita activa e de como se interligam com a construção humana de uma esfera pública e espaço público; e se o desenvolvimento que artificializa o mundo, entendido como história de progresso, é causa de uma eventual crise do espaço público que leva a que o indivíduo dele se afaste, ou se esse distanciamento tem também raízes interiores ao ser humano. E com as questões atrás levantadas articularemos a importância do aparecimento do ser político, o qual só surge se o indivíduo ganhar consciência do sentimento de si, e a análise dos mecanismos que podem providenciar esse aparecimento.

Numa primeira parte, começando por fazer a distinção conceptual entre esfera pública e espaço público, abordaremos a questão do surgimento destes conceitos, fruto de decisões culturais, derivados do conceito de vita activa da condição humana. Na segunda parte, é nosso intuito mostrar a ligação de vita activa com as circunstâncias que propiciam o aparecimento do si a si e da constituição do político. Numa terceira parte, reflectiremos sobre os factores de crise do espaço público que estarão na origem de um desvanecimento do indivíduo como ser político: factores externos ao indivíduo – tecnologia e comunicação social; e factores internos – medo de existir. Concluiremos tentando mostrar a relevância da distinção inicial entre esfera pública espaço público e a importância que tem no aparecimento do sentimento de si.

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